quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O que é este Blog

Narrei neste blog minha experiência como Oficial de Justiça quando eu tinha 19 anos (1989-1990). Os textos foram escritos cerca de 20 anos depois (2009-2011). Não publiquei essas narrações como livro impresso, mas apenas neste formato internet.

(Se você quer ver os livros jurídicos que publiquei em meio físico, clique aqui. Se quer ver meu site profissional, clique aqui)

Para ver a nota do autor (inclusive com os comentários da minha mãe a respeito do vocabulário utilizado...), que explica a perspectiva do livro dispobilizado neste blog:

http://oficialdejustica19anos.blogspot.com/2010/01/advertencia-ao-leitor.html

Para ver o índice do livro, com links para todos os capítulos:

http://oficialdejustica19anos.blogspot.com/2011/12/indice-do-livro-completo.html

ÍNDICE DO LIVRO (COMPLETO)


Capítulo I - A primeira favela. O lado pobre da rica cidade de São Paulo

Capítulo II - Estudando para o concurso público: de filhinho de papai (adolescência) a Oficial de Justiça (fase adulta)

Capítulo III - A vara criminal

Capítulo IV - Os bandidos, as vítimas e as testemunhas

Capítulo V - Minha mãe, as mães dos bandidos e as mães das vítimas. Família, pobreza e criminalidade

Capítulo VI - Investigadores de polícia, carteiros, cobradores de ônibus e taxistas

Capítulo VII - Advogados, juízes e outras espécies da fauna judiciária

Capítulo VIII - O dia em que, sem querer, plantei uma nulidade em um processo criminal

Capítulo IX - O dia em que evitei fosse plantada uma nulidade em um processo criminal

Capítulo X - O centro de São Paulo. O fórum e o elevador do fórum

Capítulo XI - O Carandiru e outros presídios


Capítulo XII - As delegacias de polícia. O problema da segurança pública em São Paulo

Capítulo XIII - A corrupção na polícia e no Judiciário


Capítulo XIV - Políticos, empresários e prostitutas

Capítulo XV - Crime de rico e crime de pobre

Capítulo XVI - A Associação dos Oficiais de Justiça, os sindicatos dos servidores do Judiciário e as greves de 1989 e de 1990. O reajuste de 150% nos salários dos oficiais de justiça

Capítulo XVII - A parte boa de São Paulo

Capítulo XVIII - Dando “carteirada” como Oficial de Justiça

Capítulo XIX - Passei no vestibular e fui estudar Direito na USP

Capítulo XX - A liberdade que o dinheiro proporciona

Capítulo XXI - Os desafios seguintes

Capítulo XXII - Conclusões

CAPÍTULO XX - A liberdade que o dinheiro proporciona

O conceito de “liberdade” é bastante subjetivo. Eu tive a exata noção disso quando comecei a ganhar mais dinheiro depois que veio o pagamento, em 1990, da gratificação de 150%. Foi aí que passei a ter acesso a um monte de coisas, tal como vimos em capítulos anteriores.
Em janeiro de 1991, fiz a minha primeira viagem ao exterior, graças ao dinheiro obtido com o trabalho como Oficial de Justiça, óbvio. Meu inglês era péssimo e eu só conseguia me virar com o portunhol. Decidi ir para Cuba, conhecer o “socialismo real”, a arquitetura da cidade de Havana e, óbvio, as praias do Caribe. A VASP tinha uns vôos charter saindo de São Paulo, eu comprei um pacote, e passei uma semana em Havana. Foi uma experiência bastante interessante e decidi que poderia partir para outras aventuras.
Eu estava com uma bela poupança, continuava ralando como Oficial de Justiça e cada vez mais puto com isso. Uma coisa é estar levando uma vida dura quando se está sem dinheiro; outra coisa, muito diferente, é quando se está com dinheiro do bolso.
Ao mesmo tempo, minhas tentativas de ir para uma vara cível tinham sido frustradas. Eu estava descontente com o trabalho na área criminal. Hoje vejo que poderia, perfeitamente, ter continuado como Oficial de Justiça em uma vara criminal e me especializado em direito penal.
Numa tarde estava fazendo umas diligências no centro de São Paulo, quando começou a chover. Eu vi todas as pessoas na rua com guarda-chuva. O único pinto molhado era eu, desprovido de guarda-chuva. Fiquei pensando que esse negócio de trabalho externo não era tão bom assim.
Nessa época, a 14ª. Vara Criminal estava com um novo juiz titular do qual eu não gostava. Ao contrário dos anteriores, já mencionados, o novo juiz não me parecia um cara legal, nem como pessoa, nem como profissional. Não sei se ele era um bom juiz, mas a impressão que eu tinha dele era ruim. Em uma ocasião, indaguei a ele qual procedimento eu deveria adotar com relação ao cumprimento de um determinado mandado. Não lembro qual era o problema específico, mas me lembro bem a resposta dele, seca e lacônica:
- Faça como seus colegas fazem: eu não vou lhe ensinar o seu serviço.
Se há algum sentido em não existir “central de mandados”, é a vantagem que o juiz tem em conhecer muito bem os oficiais de justiça que cumprem seus mandados, inclusive poder confiar (ou não) na veracidade das certidões lavradas por cada oficial. No caso, literalmente, o novo juiz estava desperdiçando a única vantagem de ter oficiais de justiça lotados na sua vara.
Além disso, estava aborrecido com um fato: todos os pedidos de prazo adicional para cumprimento de mandados ficavam arquivados em uma pasta própria. Cada oficial de justiça tinha sua pasta respectiva, que formava um histórico pouco abonador, já demonstrava os mandados que não tinham sido cumpridos no prazo inicialmente fixado. Acho que o único Oficial de Justiça da 14ª. Vara Criminal que não tinha essa pasta era eu, simplesmente porque era raríssimo eu pedir prazo adicional. Eu tinha orgulho disso. O novo juiz, porém, determinou que fosse aberta uma pasta para mim, quando eu tive de pedir prazo adicional para cumprir prazo. Fiquei aborrecido com esse fato.
No próprio ano de 1991 abriu concurso para escrevente. Nenhum Oficial de Justiça iria fazer concurso para escrevente, não só porque Oficial de Justiça ganhava mais, mas também porque supostamente trabalharia menos, com horário livre, fazendo um trabalho externo.
Mas eu fiz o concurso para escrevente, sem contar para ninguém. Passei no concurso em uma colocação razoável e sabia que iria ser convocado. Com isso, eu poderia deixar de ser Oficial de Justiça, fazer uma viagem mais longa, e depois assumir o cargo de escrevente em uma vara cível.
Muitos anos depois, um dono de uma corretora de valores mobiliários iria me dizer a seguinte frase, quando eu perguntei se ele aceitaria um cliente que, para os padrões dele, teria pouco dinheiro (eu estava me referindo a mim mesmo, óbvio):
- Claro que sim. Dinheiro não aceita desaforo. Até porque você pode no futuro ficar rico.
Eu não tinha, na minha época de Oficial de Justiça, a clareza de como isso era verdade.
O fato é que o dinheiro guardado, a aprovação no concurso de escrevente, o incômodo causado pelo novo juiz e a vontade de ir para uma vara cível foram decisivos para que eu tomasse uma decisão: pedir exoneração do cargo de Oficial de Justiça e fazer uma viagem longa à Europa.
Portanto, foi graças ao trabalho como oficial de justiça que eu pude realizar o sonho de conhecer a Europa e ter algumas das experiências mais sensacionais da minha vida.
Decidi que eu iria fazer um mês de curso de inglês na Inglaterra e passar mais outro mês, depois do curso, viajando pela Europa.
Pedi exoneração do cargo de Oficial de Justiça, para surpresa de todos os colegas da 14ª Vara Criminal. Não disse para ninguém de lá o que eu iria fazer. Eu tive a impressão de que o juiz tinha ficado muito incomodado com a minha decisão, mas eu estava pouco me fudendo para o que ele pensasse. Na verdade, estava até achando bom: foi a minha revanche.
O juiz e a escrivã-diretora tentaram brecar a minha saída, alegando que eu só poderia pedir exoneração se cumprisse todos os mandados pendentes. Eu aleguei que pedir exoneração era um direito meu e que o deferimento era problema do Tribunal. O impasse durou um ou dois dias e, no final, chegamos a uma solução intermediária: eu cumpriria os mandados mais urgentes e os demais seriam redistribuídos para os demais colegas.
Eu tinha uma grande amiga espanhola que se chamava Maria. Ela tinha sido minha monitora de direito romano no primeiro ano de Faculdade (1990). Ela era de Madrid e arrumou o jogo com a família dela que morava lá, para eu ficar hospedado uns dias na casa deles.
Eu comprei a passagem para Madrid em uma agência de turismo que era localizada no local mais deteriorado do centro de São Paulo, em uma salinha minúscula. Naquela época, o preço das passagens aéreas era tabelado, mas a comissão que as companhias aéreas poderiam dar às agências era livre. Com isso, as companhias mais vagabundas davam polpudas comissões às agências, que por sua vez vendiam as passagens aos clientes com polpudos descontos em relação ao preço de tabela.
O discurso de livre comércio, liberalismo, livre mercado etc é muito bonito. Mas na prática o que víamos (e vemos até hoje) é bem diferente: todos querem seu mercado cativo, seus monopólios, sua reserva de mercado.
O fato é que essa jogada das agências de turismo me possibilitou comprar pela metade do preço uma passagem para a Europa. A companhia aérea era a LAP – Linhas Aéreas Paraguaias, uma companhia estatal do Paraguai que tinha um passivo dez vezes superior ao ativo e faliu algum tempo depois da minha viagem.
O avião usado pela LAP era um DC-9. Era um avião velho, com asas grandes, que balançavam muito. Parecia que o avião batia asas. O meu vôo para Madrid tinha uma conexão em Assunção e uma escala técnica em Dakar, na África, simplesmente porque o DC-9 não tinha autonomia para voar de Assunção a Madrid sem reabastecer. Eu estava morrendo de medo de dar uma merda no vôo e atrapalhar meus planos de viagem. Mas correu tudo bem.
Cheguei pela manhã em Madrid e providenciei logo minha passagem de trem para Paris, de onde eu seguiria para a Inglaterra. No mesmo dia, saí na night em Madrid, com a irmã da minha amiga Maria (não me lembro do nome dela) e com uma garota que também se chamava Maria. A irmã da minha amiga Maria não era lá tão bonita, mas a Maria colega dela era fantástica. As duas estavam, digamos, sendo muito simpáticas comigo. Por uma razão misteriosa, eu me interessei pela irmã da minha amiga Maria (sim, a que não era tão gata).
Fomos a uma parte da cidade muito turística. Em uma boate, o DJs só estava tocando música americana e eu reclamei. Ele me explicou que o público estrangeiro gostava desse tipo de música, disse que os espanhóis só dançavam e bebiam pouco, o que dava pouco lucro para o estabelecimento. Argumentei que era meu primeiro dia na Espanha, que eu estava com duas amigas espanholas, estávamos consumindo o suficiente e que eu queria música latina.
Daí a alguns instantes ele atendeu ao meu pedido. Começou a rolar música hispânica e a pista ficou cheia de gente. Eu estava bem animado, dançando com as duas garotas, já muito bêbado, e gritava, quase em êxtase:
- Ianques de mierda! Arriba España!
Nós ficamos dando gargalhadas com essa situação. Foi uma noite louca, e eu não vou descrever aqui o que ocorreu depois. No dia seguinte eu estava passando mal, vomitando horrores, morrendo de vergonha por estar em um estado lastimável na casa da família que tinha me recebido tão bem.
Fui para Brighton (Inglaterra), via Paris. Fiz o curso de inglês, foi muito bom. Lá fiz um amigo me convidou para, depois do curso, passar uns dias com a família dele nas montanhas da Suíça. Eu topei e comentei isso com uma colega do curso, que também era suíça: uma loura de olhos azuis, com 31 anos de idade (dez a mais do que eu), que, na visão da época, eu considerei uma “coroa” (nota C+ para B-). A danada, que pouco me conhecia, falou sem a menor cerimônia:
- Passe na minha casa: eu tenho um carro e posso te mostrar a Suíça inteira.
Meu amigo perdeu a visita: a proposta da Brigite (a tal “coroa”) era irrecusável. Cheguei na cidade dela (Basiléia) de trem, ela me pegou na estação ferroviária com seu carro, um Escort alemão, idêntico ao que era produzido do Brasil na época. Ela parou em um posto para abastecer, eu achei uma graça danada ver uma mulher toda arrumada com uma bomba de gasolina enchendo o tanque do carro (poucos postos têm frentistas na Europa).
Por coincidência, era aniversário do pai dela naquele dia. Nós passamos na casa dos pais dela, ficamos um pouco, eu não quis beber nada, alegando dor de cabeça (era verdade). Depois fomos para o apartamento da Brigite.
Lá chegando, ela insistiu para que bebêssemos vinho. Aí pensei “puta merda, é igual ao que nós homens fazemos no Brasil”! Ficamos conversando um pouco, mas vi que eu teria de tomar a iniciativa para a coisa terminar do jeito que a Brigite queria, ou seja, na cama. Ela ofereceu alguma resistência, dentro dos padrões normais, dizendo que “não esperava isso”, que “me via como amigo” etc. Eu insisti e por fim ela me disse assim;
- Ok, just for fun.
Obviamente ela quis deixar claro que não estava apaixonada por mim: seria apenas diversão. Ela falava inglês muito bem; o meu era apenas razoável. Ela me ensinou uma palavra que eu ainda não conhecia: “forbiden” (proibido). Evidentemente, a tal palavra não foi empregada na prática durante os três dias que fiquei com ela na Suíça.
Ela cumpriu o prometido: me levou para vários locais interessante na Suíça. O que eu gostei mais foi um castelo construído em cima de uma enorme pedra. Ela estranhou que eu quisesse ver castelos, alegou que isso não era o forte da Suíça, mas eu insisti e ela atendeu ao meu pedido.
No dia da minha partida para Budapeste, via Viena, a Brigite me levou para a estação de trem, estacionou em um local proibido (!) e foi comigo até a plataforma. Ela queria que eu ficasse mais uns dias. Mas eu recusei, óbvio, queria mais aventuras.
Dentro do trem, fiquei imaginando que eu tinha feito merda ao comer a Brigite sem camisinha durante três dias. Na época, a questão da AIDS estava começando.
Na Embaixada húngara em Viena conheci uns portugueses e fomos juntos para Budapeste. Foi show de bola essa parte da viagem. Budapeste foi a cidade da Europa que eu gostei mais, um verdadeiro sonho, com a arquitetura antiga. A vista do Danúbio a partir do “Distrito do Castelo” é magnífica. Os preços lá eram ridículos, dava para jantar em um restaurante razoável, com garçon que falava inglês, pagando apenas dois dólares. Minha máquina fotográfica parecia uma metralhadora, eu tirava foto de tudo que via, um exagero.
Notamos que as húngaras não usavam sutiã. Conhecemos duas garotas e combinamos com elas de ir para um clube no dia seguinte. Chegamos ao lugar marcado com um atraso de quase uma hora, mas elas estavam nos esperando. Estávamos curiosos para saber se as “húngaras seriam húngaras” no clube, ou seja, se estariam topless lá. Nossas amigas estavam usando maiôs bem conservadores, mas grande parte do público feminino estava com os seios de fora, para o deleite de todos os falantes da língua lusa presentes no local...
No final da tarde desse dia embarquei para a Dinamarca, outro lugar em que eu tinha hospedagem grátis. Foi na casa de um casal amigo de um tio meu. Conheci Copenhague a pé, saí na night, as garotas eram lindas (notas que chegavam a A+), mas não peguei ninguém.
De lá fui para Oslo me encontrar com uma norueguesa loura (nota B- para B) que eu tinha conhecido no trem a caminho de Copenhague, achando que era bola na caçapa. Mas também não rolou nada. Quem me deu mole foi uma amiga da loura, uma norueguesa morena, que eu também tinha conhecido no trem. A loura tinha me ciceroneado o dia todo e no fim da tarde a morena apareceu para nos encontrar. A morena era até mais bonita (nota B+), deliciosamente doidinha, mas eu não via a menor lógica em pegar uma morena na Noruega. Explico: quem vai a um país, quer as coisas típicas. Isso significava mulher de cabelo escuro na Espanha e loura de olho azul na Escandinávia. Era a minha lógica da época, por mais absurdo que possa parecer. No mais, adorei Oslo, achei a cidade linda, para a surpresa dos escandinavos que me disseram achar a cidade sem graça.
Depois voltei para Madrid. Fiquei saindo com o Pablo, irmão da minha amiga Maria. A irmã da Maria estava viajando, parece que tinha ido para a Galícia. No final da viagem eu não estava com saco de ver museu, nem de ir para baladas, queria apenas ir a Toledo. O pai da Maria me levou lá no carro dele, que era um modelo esportivo da marca Lada, fabricado na Rússia. Eu perguntei depois para a Maria porque o pai dela tinha um carro russo e ela me respondeu o seguinte:
- Ele comprou para ajudar a União Soviética: na época da guerra civil espanhola, os russos salvaram milhares de crianças órfãs que iriam cair nas mãos dos fascistas. Foi o chamado “socorro vermelho”.
Não é preciso muito esforço para imaginar como os fascistas trataram os filhos dos republicanos mortos na guerra civil. Por isso o “socorro vermelho” foi tão importante naquela época.
No meu vôo de volta para o Brasil, ao contrário do que tinha ocorrido na ida, eu estava torcendo para que desse merda na escala em Dakar, pois eu tinha conhecido uma holandesa (nota B para B+) na sala de embarque. Eu então imaginei como seriam maravilhosos e exóticos uns dias (e umas noites) com ela no Senegal. Mas o vôo transcorreu sem problemas. Praga da Brigite: depois dos memoráveis dias como Latin Lover na Suíça, não peguei ninguém no resto da viagem.
Cheguei ao Brasil e tinha um recado de uns colegas de Faculdade que eu deveria ir assistir à aula de direito constitucional no mesmo dia, em razão de um trabalho em grupo, no qual tinha sido incluído meu nome. O divertido desse trabalho foi a pergunta que a professora fez para o grupo: era a única coisa que eu sabia da matéria (não lembro o que). Então eu, que tinha acabado de chegar de viagem, com o fuso horário todo atrapalhado, respondi a questão e nosso grupo obteve a maior nota da turma. Foi uma cagada homérica e eu fui o herói do dia. Em razão do feito, um colega do grupo me deu um livro de presente, que guardo até hoje.

domingo, 9 de janeiro de 2011

A respeito da memória...

Mais de uma vez me perguntaram como eu pude lembrar de tantos detalhes para escrever o livro, considerando que os fatos aqui narrados ocorreram há cerca de vinte anos!.. Me perguntaram se eu tinha um "diário" ou algo assim.

Na verdade, eu nunca tive um "diário" simplesmente porque sempre fui muito desorganizado.

Quando estava escrevendo o livro, fui mexer na papelada velha que eu tinha guardada em casa. Eu tinha a esperança de achar algo relacionado ao trabalho como Oficial de Justiça. Achei diversas anotações referentes a diversas coisas, como narrações de viagens, textos políticos, poesias e contos que eu escrevia na época, além de uma variedade imensa de outros temas, como projeto arquitetônico de barzinho ou lista de coisas que eu deveria fazer no futuro próximo.

Quanto ao meu trabalho como Oficial de Justiça... Nenhuma anotação! Por alguma razão misteriosa, eu não deveria achar, na época, que meu trabalho como Oficial de Justiça mereceria anotações.

Assim, tudo que descrevi no livro foi produto da memória mesmo. O processo foi interessante: quanto mais eu escrevia, mais lembrava dos detalhes.

sábado, 11 de setembro de 2010

Capítulo XIX já disponível

Se você já acessou este Blog antes, possivelmente irá querer ler o Capítulo 19.

Se é a primeira vez que você acessa este Blog, pode ser interessante ver o índice do livro, com links para os capítulos 1 a 17, 21 e 22, ou ver a nota do autor (inclusive com os comentários da minha mãe a respeito do vocabulário utilizado...), que explica a perspectiva do livro.

Também está disponível o Capítulo 18.

O Capítulo 20 será disponibilizado oportunamente.